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domingo, 29 de março de 2009

Um Retrato do Artista Quando Jovem


“Um Retrato do Artista Quando Jovem será sempre parte permanente da literatura inglesa” – Ezra Pound

Em janeiro de 1904, Joyce escreveu um ensaio autobiográfico que intitulou de A portrait of the artist. Era a primeira etapa na elaboração daquela que seria sua obra-prima literária, Um retrato do artista quando jovem. Com 22 anos de idade, Joyce descobriu que podia se transformar em um artista escrevendo sobre o processo de se tornar um artista.

A recordação da infância e juventude de um menino católico na Irlanda, seu embate com as noções de pecado e santidade e o desejo de expressão individual. Um Retrato do Artista Quando Jovem narra as experiências do jovem Stephen Dedalus e termina com a recriação de seus ritos de passagem para a idade adulta, que incluíram deixar para trás a família, os amigos e a Irlanda para viver no continente.

A obra, cuja prosa evolui estilisticamente, enquanto o próprio protagonista se torna capaz de narrar a si mesmo de maneira mais sofisticada, apresenta diversas semelhanças que aproximam a vida de Joyce com a de Stephen. Assim como o jovem personagem, Joyce teve experiências com prostitutas na adolescência, precisou lidar com questões de fé, foi o mais velho de dez irmãos e recebeu educação em escolas jesuítas. O autor, assim como o protagonista, abandonou a terra natal para tentar a vida como poeta e escritor.

O escritor nos convida a penetrar na mente de seu personagem e a acompanhar seus pensamentos, reações, processos psíquicos, e a perceber, implicitamente, sua evolução física.

“Convém compreendermos e nos lembrarmos”, escreve a tradutora Bernardina da Silveira Pinheiro na introdução do livro, “de que nesta obra Joyce vai introduzir, de maneira inovadora, o uso sistemático do monólogo interior”.

“Por entender a importância e a beleza do estilo inovador do autor, e por respeitar o que ele próprio desejava que fosse preservado, procurei, na tradução de Um Retrato do Artista Quando Jovem, manter, dentro da diferença lingüística e sonora, na medida do possível, o estilo, a melodia e a cadência que, acredito, ele gostaria de encontrar em uma versão brasileira de sua obra”, conclui Bernardina.

SOBRE O AUTOR

James Joyce (1882-1941) nasceu em uma abastada família católica, no subúrbio de Dublin, Irlanda. Educado em colégio jesuíta, estudou Filosofia e Línguas na University College. Já nos primeiros anos de faculdade, já publicava artigos na imprensa e começava a escrever os poemas líricos mais tarde reunidos no livro Câmara de música. Morou em Paris, em Trieste e em Zurique, onde a família viveu na pobreza, enquanto ele escrevia Ulisses.

É considerado um dos autores de maior relevância do século XX, e seus textos influenciaram, de uma maneira ou de outra, todos os escritores que lhe sucederam. Suas obras mais conhecidas são o volume de contos Dublinenses (1914) e os romances Um retrato do artista quando jovem (1916), Ulisses (1922) e Finnegans wake (1939). Os três últimos exerceram enorme impacto na literatura inglesa modernista. William Faulkner e Virginia Woolf são alguns dos grandes escritores cujas obras foram fortemente inspiradas pelas de Joyce.

Embora tenha vivido fora da Irlanda durante a maior parte da vida, suas experiências em seu país de origem são de grande importância para a compreensão de sua obra. O universo ficcional de Joyce enraíza-se fortemente em Dublin e reflete sua vida familiar e eventos, amizades e inimizades dos tempos de escola e faculdade.

O autor morreu em janeiro de 1941, dois meses depois de retornar com a família à Suíça. Todos os anos, sua vida é celebrada no dia 16 de junho. Conhecida como “Bloomsday”, a data é comemorada não apenas em Dublin, mas também em diversas outras cidades ao redor do mundo.